domingo, 1 de janeiro de 2012

...O inicio...

Amanheço e acordo o dia que agora nasce
Vestiu-se de melancolia e morno lá se vai espreguiçando
Há espera de beber a vontade que ainda ontem não tinha
O silêncio invadiu os céus pintados de cinzento
E a pouca luz que ainda vive da vela perfumada de jasmim
Começa agora a desvanecer-se...
Prende-me o olhar ardente e dorido
De uma noite de tempestade no meu peito
Que amainou num sono que não dei por chegar
A noite longa, imensa e inquieta...
Trouxe com a caricia de uma gota de orvalho
O sentir de um abraço que apenas...
Apenas não passou de um sonho...


sábado, 31 de dezembro de 2011

...Sorrio...

Agora que não estás acredito...
Num pequeno coração que deixou de sentir...
E de uma voz meiga que deixei de ouvir...
De uma luz que se apagou...
E de um labirinto pintado de arco íris onde me perdi...
Sei que a lua guardou do mundo o nosso segredo...
Sei do frio das lágrimas que atravessam meu rosto...
E da loucura de estar só todos os dias...
Disse-me sorri...sorri sempre...e sorrio...
Do vento que brinca com os cabelos pintados de azul
Da lua que ilumina de prata o meu quarto
E das estrelas que me piscam o olho
Sorrio do beijo desencontrado e perdido
E da ternura do salto alto no pezito da Maria
Sorrio do branco amanhecer frio e molhado
Do Sol, atrevido e meigo que se esgueira por entre nuvens em desalinho
Da música que me toca e me faz dançar
E da espuma com que a areia da praia teima em brincar
Sorrio do riacho franzino mas traquina que trepa por pedras e raízes
Como se tivesse a força do vento e o tamanho do mar...
Sorrio da ternura com que o girassol procura o sol
E das Acácias que embriagam num feitiço a Primavera do desejo
Sorrio ao teu abraço cheio de tudo e às minhas mãos cheias de nada
Sorrio...
Sorrio assim enquanto espero pelo teu sorriso...





domingo, 20 de novembro de 2011

Anoitece em mim...

Hoje não chegaste...
Sei da tua ausência mais que da tua presença
Ainda assim te espero numa espera sem fim
Como a tela que pintas com os teus sonhos feitos realidade
Enquanto toco de leve as palavras que não sei escrever
Talvez nem chegues nunca... eu sei
Embrenho-me neste labirinto de loucura insana
Mas aqui posso cruzar-me contigo
Entre as letras que não lês e as palavras que não entendes
A noite toca o meu corpo num abraço terno
De quem me sabe perdida por entre o frio lilás em que me deito
Na almofada repousa um lago de saudade
Onde a lua me espreita e vem de mansinho
Tocar-me com um beijo


sábado, 19 de novembro de 2011

De não ser mais que nada...

Sabes daquela lágrima adocicada pelo teu beijo
Que acaricia morna o meu rosto
Aquele abraço que me sossega e acalma e
O silêncio que sobrevoa o meu corpo e te trás de volta
A luz que deixaste no meu olhar e
Que agora o orvalho tomou conta
Retorno ao assossego do impassível ser que não ouvi
Dissimulado este indiferente sentir que imito
Escondo-me de mim atrás de quase nada
E deixo-me cair entre os meus braços
Ter que existir uma razão ou não...
Nunca saberei
Estranho o meu mundo, estranho sentir o meu...
Toquei a vida com um suspiro que ela não quis ouvir
Alheia ao meu redor passou sem dar por mim
E foi voando para tão longe que a perdi no horizonte
Perdi-me da vida e ela recusou-se de ser minha...



quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Apenas mais de mais nada...

Rondo as vogais que se prenderam
Num qualquer lugar que não encontro
De consoantes perdidas e soltas
Por entre o cinzento de um lápis a carvão
Navegam nuas e sem rumo
Ainda desordenadas umas após as outras
Descobrem-se aqui e ali ...
Confundem-se e aconchegam-se de mansinho
Procuram um lugar que já não vive
Lugar de afectos e sonhos
Numa tela de arco íris pintada
Onde a luz se extinguiu e nada mais ficou

O não ser nada a não ser coisa nenhuma

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Deixaste-me...

Sou hoje feita de nada, do que sonhei
Morrer de cada vez que as palavras não me entendem
Deixo-me cair num mundo inventado por mim
Fingir que sou dona de mim e não me saber onde
Enfeitada de sorrisos, desenho de pétalas as lágrimas com sabor amar
Deixei de ouvir os meus passos na calçada que me reconhece
Existe um muro esculpido de medo que não consigo passar
As tuas mãos já não esperam por mim do outro lado
O céu separou-nos no meio de uma insana tempestade
Espero o teu abraço mais que o teu perdão
Quero dizer que te amei tanto e nunca soube que me amaste
Um mar imenso definha dentro de mim
E o tempo escorre entre os meus dedos
Coisas que não te disse
E numa ferida passaram despercebidas
Vivi enquanto juntas ouvimos chegar o luar
No teu colo pensei conhecer de ti o amor
Esqueci o doce perfume da ternura nas tuas mãos
E o frio gélido do medo de não amar encharca-me de loucura








quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Uma estrela...

Pressentiu os meus passos...
E sussurrou-me baixinho
Estás triste...
A Lua hoje também está a chorar...



domingo, 5 de dezembro de 2010

Apenas Palavras...

Não sei viver
Sem o perfume das palavras
Coloridas pelo aroma de cada letra
São como o teu olhar desenhado de sentires
Cada troca cada encontro tem do sentir um poema
Em cada olhar descobres a cor de cada sorriso que provocas
Sei de ti em cada circulo desenhado de arco-íris
Do amor o perfume Violeta da eternidade que nos une
Índico é o teu peito imenso onde me aconchego
De Azul tens os sonhos onde o céu deixou de ser infinito
Verde é de esperança a tua cor aquela que me ensinaste a não perder
Do Sol pintado de girassol tens a luz que o teu caminho ilumina
Escondes no crepúsculo o laranja onde acendes a magia da paixão
Forte é a vida que corre de um vermelho intenso em cada uma das tuas veias
Intenso este sentir que nos separa do mundo
E nos une na cor das palavras desenhadas de sentires

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Maculo...

Caminho deambulando num labirinto que parece não ter fim, atrevo-me e sei que não sou mais a mesma, o tempo já vai a mais de meio e tudo o que não foi já não vai ser, avistei um lugar onde me posso aninhar no teu colo em segredo, agora as decisões são adiadas, como sempre foram, esta é a única coisa que não mudou, os passos mais distantes de tudo tornam-se pesados, incrédulos, sem medo ou receio continuam numa vontade simulada de desejo aparente de ser verdade, falo em vão já ninguém ouve, ninguém sequer vê, os olhares perdem-se agora entre umbigos de elites eleitas por sufrágio directo...
Serena questiono-me agora onde ecoam as vozes que me fazem sentido, onde se perdem os abraços que um dia achei serem meus, onde moram agora as emoções pintadas de mil cores em cada desencontro desenhado de encontro, prisioneira do sentir, amargo veneno que a vida impõe, experimento-me sentir e deixo-me perceber impassível, indiferente este existir esculpido num vazio que me protege de mim, o tempo inflige demorada a sua decisão de me ter aqui, insensatez a sua que só agrava a minha pena ...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010


Quando o vento se esconde entre a folhagem que o vento baloiça...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Sossegar

Esconde-se sereno por detrás da serra
Enquanto espero por mim
O vento frio acaricia-me o cabelo
Voam ingénuos numa brincadeira de
Esconde esconde com a ventania
Beija-me o rosto já sem afago
Incendeia-me a alma a tua ausência
Sigo um raio de luz deixado pelo crepúsculo
Esperando que me indique o caminho
Aquele que por mais que procure não encontro
E quando já nada faz sentido...
Quando respiras porque não sabes como deixar de o fazer...
Perdes-te no meio de um lago parado sem corrente
Cessam os sentidos e adormecem os pensamentos
Calam as vozes que sabem o meu nome
E a tua presença sumiu-se
Extingue-se assim o eu em mim...

domingo, 31 de outubro de 2010

Fechou a porta...

Percebo este bater da porta no meu peito
Fechaste-a e saíste...
Sorrateira e de sorriso tímido
Lá fora espera-te o céu que chora a tua despedida
Vazia esta minha viagem
Sem apeadeiro onde chegar
Vejo-te partir vezes sem conta, digo-te adeus e
Em silêncio procuro por ti dentro de mim
Só... existo...
Sem te ser ou ter sou sem viver
Conheço no teu olhar brilhante um rio
Tela onde revelas o teu meigo sentir
O frio assustado abraça-me o peito
Desajeitado este meu caminhar
Que o vento faz cambalear
E a noite deixa sucumbir

sábado, 30 de outubro de 2010

Pertenço-te...

Escapa-se entre os dedos o tempo que não vivi
Distante tocas-me como uma brisa de verão
Deixas-me com a voz de quem não me conhece
Estranha esta paixão que não entendo
Louco este intenso desejo do teu beijo
Pertenço-te em sonhos onde a Lua se veste de Prata
E o mar amanhece abraçado pelos nossos corpos
Confundem-se na noite pintada de maresia
Não quero acordar deste sono mágico
Feitiço que te trouxe aqui onde a minha alma voa
E os nossos espíritos se unem num só
O espírito do amor
Doce esta loucura que me faz sorrir
Que me deixa cair uma lágrima ao acordar
Sei que acordar é deixar-te voar
Para tão longe, tão distante...
Onde o nosso olhar jamais se poderá encontrar

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Vou passear pelas letras e pintar numa tela um retrato desenhado de palavras...

Refúgio...

Estrangula-me não saber
Perceber que me asfixia a necessidade
Numa vontade reprimida de poder ser
Ecos de um personagem
Sem autor ou argumento
Anacoreta contempla a Lua vestida de prata
Alega ser sua propriedade de invento
Amam-se em segredo,
Diz-se por ai que à noite
Murmuram em voz baixinha o seu amor
Lado escuro da noite esconderijo perfeito
Ninho onde se agasalham abrigo secreto
Lugar sem dever ou obrigação
Guarida sem vez
Sem tempo
Sem mim

Quando a noite amanhece...

É tarde, quando noite ainda
Te deixo de mãozita fria e coração pequenino
Caminhamos, e o dia demora-se enquanto desperta
Em silêncio cruzamo-nos com vozes roucas e tímidas
Inventas razões que te justificam a minha presença
Peço-te tudo para te levar comigo
Mas não te chega...
Correm devagar os minutos
E anseias sôfrega aquele encontro que tarda em chegar
De corpo frágil e olhar doce tem o mundo desenhado nas mãos
O teu mundo... aquele onde o teu corpo se aconchega
E a alma sabe, sabe que ali pode voar sem medo
Vens sorrateira aninhar-te no meu ventre
Parece-te seguro ao invés das minhas mãos
As mãos que te deixam ao desamparo
Quando ainda noite o frio nos trespassa e deixa perceber
A chegada de mais uma aventura contra o tempo
Ainda sem perceberes transformas os teus fantasmas na tua dor
Intenso este amor que guarda e cuida em desassossego
Esconde-se dos medos do mundo
Inquietamento que o corpo fere e a alma magoa

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Ainda antes de...

Gosto do tempo que passamos juntos
Agora mais pequeno e sossegado
Sem letras ou números que nos expliquem
Entendemo-nos no olhar e num abraço
Poder voar tocar o céu contigo
Deixou de ser, simplesmente
Quebraram-se as asas que nos seguravam
Esforço-me em vão para continuar sem ti
Escondo-me de mim e de ti...
Imigrei para o casulo da minha alma
Onde vivo me transformo e morro
Às vezes tocas-me em jeito de gota de água acaricias-me
Sorvo o que resta do meu sal
Ávida desse mar onde jaze o meu corpo
Não posso mais ser de mim quem sou
Sozinha no escuro não mais te senti
Eterna e obscura esta existência feita de nada
Humilha-me cada despertar sem sentido
Aniquilei cada escolha num descaminho
Desenhado neste leve movimento

domingo, 10 de outubro de 2010

Serenar...

Anoitecer breve e silencioso
Imenso este lugar adormecido
Distante este desejo de te amimar
Sossegado o vento sussurra-me a tua ausência
Sopro brando e meigo acaricia-me dolorida a alma
Disfarce este olhar perdido que o teu não encontra
Na pele despida fere-me o frio que me entorpece e abate
A lua deixa cair esta máscara que o dia deixa pintar
Dolorosa esta espera que o tempo rouba à noite
Assalta-me num abraço intenso sabe de mim longe daqui
Sabe que moro distante desta multidão de sentires
Num lugar onde o sol adormeceu e anoitece a cada amanhecer
Assusta-me este desfiladeiro onde o sol desperta
Se insinua como um rio sem medo entre rochas escarpadas
Íngreme esta caminhada floresce em mim
Ambíguo este labirinto sem cor
Sem ti...

sábado, 9 de outubro de 2010

Inquietação...

Urge a diferença e a dúvida a cada instante
A habilidade de ser humano sem a sombra de ser,
Ser apenas miragem daquilo que os outros querem ver
Arguidos de um fingimento sem argumento
Ao qual cativo se autoriza indeliberado e impensado
Acto de insipiência e ingenuidade

Intenso este existir feito de verdade
Eremita das sete Luas e dos sete Sóis
Contempla no seio da sua existência um caminho
Onde uma vasta multidão o não encontra
São os silêncios que ecoam gritos
Que o mundo não sabe ouvir

Inquietude latejante e ávida
Insaciável de desejos intensos e sedutores
Tumultuoso este sentir que aniquila qualquer juízo
Discernimento que a emoção faz cativo
Combate que a razão disputa e conquista
Sobrevive a esta paixão a quem chamam vida

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Perder...

Afago no meu corpo a minha alma
Recuam, parecem desconhecidos
Não são...
Mas o tempo que a vida lhes deu separou-os
Desigual esta luz que os separa e a escuridão une
Quero que a chuva caia no meu peito
Inunde o meu corpo e encerre a minha alma
Indiferente a minha existência, vã...
Não sei onde mora o significado
Experimento não ser, e sou nada
Sou, e nada faz sentido ser
Alienação mental jaze raiana
Quietude esconderijo onde me abrigo
Refúgio da dor que me consome e desvanece

Porque existo ...

Porque existo ...
Acredito ...